Veste tua capa menina!

Perdi as contas de quantas vezes sentei para escrever sobre o mesmo assunto. As vezes flui e as palavras saem com uma facilidade tamanha, que nem me dou o trabalho de pensar sobre o assunto, é como se o texto estivesse prontinho, dentro de mim, esperando meus dedos tocarem o teclado. Porém, em outras tantas vezes, como agora, preciso entrar dentro do peito e enfrentar meus demônios. E na maior parte das vezes, me sinto como Davi em frente a Golias, e nessa história nem sempre Davi vence.

Nós ansiosos, precisamos lidar com a pressão do mundo e ao mesmo tempo com a pressão que colocamos sob nós mesmos. E acredite, essa última, pesa mil vezes mais! Eu não costumo falar sobre coisas que não tenho controle, muito menos sobre aos quais não sei lidar! Mas sinto que preciso. Talvez falar sobre, nos faça tomar um conhecimento maior sobre o que se passa dentro de nós e talvez ajude a entender, ou a ter uma certa visão de como nos ajudarmos!

É como se aos vinte, sentíssemos que o nosso tempo esta acabando. Como se os 60,70, 80 anos que temos pela frente, fossem quase nada, e estivéssemos sempre, sempre e sempre atrasados. Atrasados pra viver!

E parece que em momentos de crise, momentos que o mundo inteiro esta ao contrário e tudo esta bagunçado, nos vimos perdidos entre nós mesmos. Nos últimos dias, me sinto distante, como se estivesse em uma bela vitrine, assistindo todo o caos ao meu redor, e nada ou tudo, fosse me atingir. Eu sei, talvez não faça nenhum sentido pra você. Mas só eu posso lhe dizer que não sei como sair dessa vitrine. Estou presa aqui. Presa aos meus conflitos. Enfrentando Golias quase que paralisada de medo em sua frente, justo eu meu Deus, que nunca tive medo de nada!

Eu não quero fazer disto aqui, o diário de um ansioso. Muito menos compartilhar minhas dores e meus conflitos. Eu só estou escrevendo pra ver se o nó sai da garganta e consigo voltar a respirar em meio a isso tudo! Estou tetando apenas, sair da escuridão e deixar a luz do sol iluminar aquela menina de cabelo azul que ainda habita em mim.

Aos 27, um pouco quebrada, cheia de hematomas, com um cabelo comum, de mulher adulta sabe? Com tatuagens apagadas pelo tempo, daquelas que a gente sabe que foram feitas a mais de 10 anos, só de olhar. Aos meus vinte e poucos anos, quase trinta, sinto tanta, tanta, tanta saudade da menina de 21, que se sentia uma adolescente e se sentia no direito de ser inconsequente e não se importava nem um pouquinho do achavam dela.

Ahhhh minha menina, que saudades da liberdade que aquele cabelo azul te dava! Que saudade da sua capa protetora! Aquela que dizia foda-se pro mundo e lhe fazia forte pra cacete! Ahhh minha menina, me ensina a lutar novamente com o Golias! Me explica como você conseguia sentar em um bar beber com todos os seus demônios e no fim do dia, dormir com a cabeça leve, sem culpa e sem remorsos.

Me conta, quando foi que perdi essa força e essa coragem? Foram os bates da vida será? Foram as decepções? Ou será que a vida é só isso mesmo? A gente cresce, e deixa de acreditar que é invencível e capaz de mudar o mundo… Bem, talvez, a vida seja só isso mesmo, e poxa, que pena!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s