Podem voar!

Para mim, existem dois tipos de pessoas no mundo. As que se prendem as raízes, e as que nascem com asas. Eu talvez seja um misto das duas coisas. Eu gosto de meus voos, sinto necessidade do bater das asas, mas, ao mesmo tempo preciso ter ninho, preciso saber que sempre e sempre vou ter onde pousar.

Eu nunca sonhei alto demais. Nunca quis fazer voos longos, mas não suportava a ideia de ter as pernas presas a terra e saber que jamais poderia voar. Porém, faz um bom tempo que meus vôos se tornaram cada vez mais rasos. Acredite, não é medo de cair, mas sim medo de voltar. De retornar ao ninho e encontrar peças faltando.

Eu não sei em que ano você vai estar lendo este texto, e nem sei o que lhe trouxe até aqui. Mas meu amigo, esse ano, este de agora, que ainda não acabou, mas já nos arrancou o coração do peito mil vezes, esta sendo avassalador. Muitas e muitas andorinhas, não voltaram do seu vôo.

Eu sei que cresci demais, aprendi demais, me tornei uma pessoa melhor em alguns sentidos, pior em outros, mas uma coisa, eu não aprendi. Eu não sei, e nunca saberei me despedir. Eu não consigo imaginar o que é um pai saber que o filho nunca mais vai chegar em casa. Ou uma esposa, saber que nunca mais vai beijar o marido. E muito menos, saber que um filho, jamais terá aquele colo de pai.

A gente voa, voa longe, voa baixo, cada um, a sua maneira, mas eu creio, que quase todos nós, sentimos felicidade mesmo, em voltar pra casa. Em chegar ao ninho. Eu não sei viver sem ter pra onde voltar. Sempre digo e repito, a melhor parte da viagem, é chegar em casa, largar as malas e ter quem se ama por perto. Talvez eu seja uma romântica incurável que enxerga a vida de uma maneira mais colorida, e não consegue a ver, como ela realmente é, e sinceramente? Nem quero.

Sabemos que quando uns chegam, outros precisam partir, na hora certa ou não. Estando preparados ou não. A questão é clichê, a vida é um sopro. E no fim, nada importa. O que você teve. Os bens que construiu. Seus impérios. Suas poses. Nada, nada disso vale, nada disso importa. O que fará alguma diferença, é quem você foi. É o que você viveu. São suas frases. Seus abraços. Os momentos que foram reais, que você foi apenas você, sem se preocupar com o que os outros pensam disso.

Este ano, foi um ano sofrido, de despedidas que ainda não fazem o menor sentido. Mas a vida é assim, ela não faz sentido nenhum. Por isso meu amigo. Perdoe mais. Faça mais as coisas que você tem vontade. Fique de pijama até mais tarde. Brinque com seu filho. Abrace seu marido/esposa. Diga a quem você ama, que o ama! Não guarde, nem mágoas, nem palavras, nem dinheiro, isso mesmo, nem dinheiro! Porque daqui, nada se leva. Apenas se deixa, um legado, coisas pros amigos e amores lembrarem e sentirem uma saudade boa. Que vai até doer, e talvez doa por muito tempo, mas que um dia, vai se tornar uma saudade gostosa, tipo sorvete de morango.

Eu espero, que você, que esteja lendo esse texto, entenda o buraco que esta aqui, e caso não entenda, ou, caso tenha um buraco ainda maior dentro do peito, saiba que vai passar! Que uma hora dor passa! E que se o cara lá de cima, os chamou tão cedo, é porque eles já tinham cumprido sua missão aqui! Tem gente que é anjo disfarçado! A gente que ainda não aprendeu a reconhecer!

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